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Conhecidas pelo papel de atrizes secundárias em cortes – a Pinot Meunier em Champagne e a Petit Verdot em Bordeaux – estas uvas têm méritos próprios, embora pouco conhecidos.

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Pinot Meunier

Também chamada apenas de Meunier (a palavra significa “moleiro” em francês e remete às folhas das parreiras dessa uva, que parecem revestidas de farinha; a italiana Molinara tem a mesma origem), essa uva tinta já foi considerada – erroneamente – uma mutação da Pinot Noir.hush_heath-pinot-meunier

A aparência das folhas explica alguns de seus sinônimos, como Farineux ou Noirin Enfariné na França e Dusty Miller na Inglaterra. Aqui, é cultivada em 65 hectares: os espumantes ingleses têm ganhado projeção buscando replicar o champanhe, inclusive no corte, aliando a Meunier à Pinot Noir e à Chardonnay.

A França conta com mais de 11.000 hectares de Pinot Meunier. Isso faz dela a segunda uva mais plantada em Champagne – em Marne, dois terços dos vinhedos são de Meunier – abaixo apenas da Pinot Noir. Floresce depois desta, mas amadurece antes, tornando-a menos sujeita a geadas, atributos interessantes para os produtores de Champagne: é colhida antes que as chuvas de outono levem o perigo da podridão aos cachos.

A Pinot Meunier aporta aromas frutados desde cedo, com maciez e volume, o que é excelente para vinhos que são consumidos ainda jovens. É um pouco mais ácida do que a Pinot Noir, aportando um toque fresco e especiado ao vinho. Entretanto, não envelhece bem, e muitos consideram a Pinot Meunier menos elegante do que suas colegas de corte. A maison Krug, porém, inclui-a em seus cortes. Outras casas de champanhe que se valem da Meunier são a Charles Heidsieck, a Laurent Perrier, a Egly-Ouriet e a Billecart-Salmon, além da Jaquesson e da Armand de Brignac.

Prova disso é um artigo de 2012 de Scott Claffee no site terroirist.com, mencionando conversas com Peter Liem, crítico estabelecido em Champagne. Este afirma, em 2008, que a Meunier é prestigiada pelos viticultores mais jovens. Claffee cita o importador Terry Theise, que endossa Liem e diz que “muitos produtores, especialmente, mas não exclusivamente, os mais jovens, descobriram o potencial de vinhas velhas de Pinot Meunier. É uma variedade que produz resultados deliciosos se plantada num local decente e tratada com respeito”.

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Atualmente, é possível encontrar alguns champanhes produzidos exclusivamente com a Meunier, como a Egly-Ouriet Brut Les Vignes de Vrigny. Alemanha, Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia também produzem espumantes com Pinot Meunier; na Austrália, é até vinificada em tinto, com certo potencial de guarda.

PETIT VERDOT

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Antes incluída no grupo ampelográfico Carmenet, do qual fazem parte, entre outras, suas colegas de corte bordalês (Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon e Merlot), a Petit Verdot faz, na verdade, parte do grupo que inclui a Ardonnet e a Gros Verdot.

O nome da Petit Verdot deve-se ao tamanho de suas uvas (petit, pequenas) e a seu amadurecimento (vert): a floração é precoce, mas amadurece tarde, após até a Cabernet Sauvignon. Isso a torna pouco prática em Saint Émilion e Pomerol, mas no Médoc e particularmente em Margaux, encontra condições apropriadas para seu caráter: seus vinhos são intensos, de coloração acentuada, tânicos e bons para guarda, especiados, com equilíbrio entre acidez e álcool.

Ao corte bordalês, empresta cor, estrutura e um agradável toque floral de violetas. Nessa região, alguns vinhos valem-se de percentuais generosos da variedade, como Margaux, Palmer e Pichon Lalande.

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Aliás, no século 19, o Château Margaux tinha 30 por cento dos vinhedos plantados com Petit Verdot; em tempos recentes, porém, Paul Pontallier – enólogo e diretor dessa maison, falecido em março de 2016 – disse que não queria mais do que 10 por cento dessa cultivar em seu vinho.

Além da França, é encontrada em cortes ou in purezza na Itália, Nova Zelândia, África do Sul, Espanha, Portugal, Estados Unidos, Argentina, Uruguai e Austrália, entre outros.

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É encontrada em voo solo no Château Haut Barade, um Bordeaux Supérieur AOP, no Tomero argentino, no espanhol Uva Pirata, entre muitos outros.

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